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A filiação de Freud ao estatuto das ciências naturais, bem como a articulação entre enfoque quantitativo e qualitativo que o aparelho neurológico 
demanda.

Para explicar seu projeto, Condillac recorreu a um expediente curioso: postulou um ser revestido de mármore, uma estátua desprovida de 
qualquer experiência sensível, ou sensações. Na experiência, o 
filósofo estaria sempre supondo que a estátua inicialmente só disporia de uma única estrutura: a partir do olfato.

A partir do olfato, a primeira experiência foi pensada. Esse ponto de partida tem para Condillac o propósito de sustentar que os sentidos
realmente se diferem. Pela repetição da experiência torna-se possível
a atenção, a comparação, a recordação.

Se o homem não tivesse qualquer interesse em se ocupar de suas
sensações, as impressões que lhe fizessem os objetos passariam como
sombras e não deixariam nenhum traço. Depois de muitos anos, ele seria como no primeiro instante, sem ter adquirido qualquer conhecimento e sem outra faculdade além do sentimento. (1993, p. 33). Não há sensação indiferente, Condillac reconhece que o desprazer ou o
prazer são qualidades próprias da sensação, e que essas seriam a base
da produção das faculdades da atenção, memória, juízo, vontade.
Hobbes e Locke postulavam o desejo, e não o prazer-desprazer.  Condillac instaurou uma nova ordem hierárquica: prazer, desejo, amor.
Tanto o prazer quanto a dor apresentam diferentes graus. Diminuindo, o
prazer extingue-se; e aumentando pode levar até a dor. Neste ponto há identidade com Freud. O prazer é pensado como efeito do sucesso do desejo na busca de seu objeto. Segundo Condillac, a inquietude é causada pela privação de um
objeto adequado ao desejo, que, a exemplo do pensamento de Hobbes, é
pensado como primário.
Da comparação da tomada de consciência é que nasce a inquietação; esta inquietação é a justificativa para o indivíduo permanecer ou mudar de
certos estados. A essa altura do estudo, deve-se reconhecer que todo
desejo comporta inquietude, tanto para aquele que o sucede quanto para
aquele que o antecede, como Condillac.
Freud fez uma descrição genética dos processos psíquicos. Ele reconheceu que "o neurônio aspira a libertar-se..." (1995, p.10) Na 
obra "Projeto", Freud enfrentou um problema na sua metapsicologia, descrever as relações entre percepção, memória e consciência.

Diz Freud, "o sistema nervoso recebe estímulos do próprio elemento
corporal, estímulos endógenos, que devem ser igualmente eliminados" (1995, p. 10). O sistema nervoso passa a promover o armazenamento de
parte desse estímulo, e assim administrá-lo de modo a ser utilizado para provocar alterações que entendam às suas demandas.

O sistema nervoso é composto, de acordo com Freud, de neurônios distintos, interligados. Um neurônio pode estar ocupado em um momento
e desocupado em outro. Após cada excitação é que o tecido nervoso
apresenta um tipo de registro ou memória. Freud falou sobre a
existência de dois sistemas de neurônio, o phi e o psi, responsável
pela percepção e pela memória.

A ênfase dada às características dos neurônios, destacaram as
quantidades com que tem de lidar. O neurônio apresenta vários caminhos
de ligação com outro neurônio; o escoamento, o caminho, diz Gabbi Jr.,o “motivo, um termo habitual do vocabulário intencional, pode ser
usado, numa linguagem quantitativa, como indicando aquilo que resulta
da comparação entre uma certa quantidade e todas as outras
simultaneamente presentes” (1995, p. 120).



CONDILLAC, E. B. 1993: Tratado das sensações. Campinas, Ed. Unicamp.

FREUD, S. 1995/1885: Projeto de uma psicologia. Trad. Osmyr F. G.  
Jr.. R. J.: Imago.






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